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Protestos no Irã 2026: repressão e silêncio da esquerda

Protestos no Irã 2026: repressão e silêncio da esquerda

A nova onda de protestos no Irã 2026 está reconfigurando o cenário político no Oriente Médio. Enquanto os iranianos arriscam suas vidas em busca de liberdade, uma questão emerge no plano global: por que parte da esquerda internacional mantém silêncio? Esse movimento não é apenas uma reação às repressões, mas uma busca por mudanças profundas em um sistema que oprimia vozes dissidentes durante décadas.

Os eventos atuais não apenas revelam uma fissura dentro do regime dos aiatolás, mas também destacam a fragilidade da solidariedade de movimentos que, enquanto se unem em outras causas, permanecem estranhamente quietos quando se trata do Irã. Com a repressão em andamento, compreender quem está nas ruas e as implicações desses protestos nunca foi tão vital.

Origens e Impactos dos Protestos

O estopim para esse levante começou em 28 de dezembro e, desde então, cidades iranianas são palcos de um verdadeiro embate entre manifestantes e forças do regime. Aquela que poderia ser apenas mais uma manifestação, rapidamente transformou-se em um clamor nacional, cruzando barreiras sociais e unindo diversos grupos em descontentamento.

Comerciantes dos Bazares: Uma Força Inesperada

Historicamente conhecidos como pilares de apoio ao regime, os comerciantes dos bazares agora se encontram entre os principais instigadores das mobilizações. Este movimento sinaliza uma erosão sem precedentes na base de sustentação política do governo, sugerindo que a tão necessária estabilidade, antes garantida por esse grupo, está sob séria ameaça.

Repressão e Resiliência

O regime, por sua vez, reage com força. As imagens de repressão vazam para a mídia, revelando uma estratégia estatal de impedir, a qualquer custo, que essa maré de insatisfação afunde ainda mais o governo. Entretanto, cada ataque às manifestações não só fortalece a determinação dos protestantes como também amplifica a indignação global.

O Silêncio Estrondoso da Esquerda

Há uma dissonância intrigante na esquerda global que se mobiliza em algumas causas mas silencia quando a liberdade no Irã está em jogo.

Esse silêncio pode ser atribuído a uma narrativa enraizada da Guerra Fria, onde o antiamericanismo e um certo relativismo cultural ditam que vilões e heróis sejam predefinidos. Os Estados Unidos, ainda vistos como os arquivilões, acabam ofuscando qualquer crítica ou apoio a movimentos que possam, ainda que indiretamente, alinhar-se a interesses ocidentais.

Implicações e Cenários Futuros

Se essa cadeia de protestos se fortalecer, o desafio ao establishment iraniano poderá abrir espaço para novas dinâmicas dentro do país. A combinação de insatisfação popular e a fragilização de suas bases pode, eventualmente, criar oportunidades para reformas, ou até mesmo para uma transição mais significativa.

No entanto, é crucial que a comunidade internacional, incluindo vozes progressistas, reconheçam e apoiem genuinamente essas demandas. O apoio a essas lutas não deve se restringir a narrativas anti-imperialistas esvaziadas, mas focar no apoio às liberdades e aos direitos fundamentais que tantos iranianos buscam desesperadamente assegurar.

Ignorar esses clamor por mudança apenas perpetua a hipocrisia e a seletividade moral que corroem a legitimidade de movimentos progressistas.

Em um momento onde a repressão concorre de forma tão agressiva com a resistência, a resposta do mundo, especialmente daqueles que se autodenominam defensores dos direitos humanos, definirá não apenas o destino do Irã, mas também a própria integridade de discursos universais de liberdade e justiça.

Ao final, os eventos de hoje serão não apenas um teste ao regime iraniano, mas um momento de exame para aqueles que, no silêncio, revelam mais sobre sua verdadeira posição no palco global.

ASSINATURA: JOÃO CATARINO JUNIOR DRT nº 1524/84

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