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Autores de novelas da Globo: fim de uma era

Autores de Novelas da Globo: Fim de uma Era

A história da teledramaturgia brasileira vem sentindo o peso do tempo. Com a morte de Manoel Carlos e afastamentos de outros gigantes como Gilberto Braga e Benedito Ruy Barbosa, a elite dos autores de novelas da Globo se reduz.

Esses criadores moldaram a TV nacional. Contaram histórias que marcaram gerações e definiram a identidade do horário nobre com tramas cheias de impacto social e cultural. Agora, enfrentamos um novo cenário, onde suas ausências ressoam no futuro das novelas.

Manoel Carlos: Poeta do Cotidiano

Conhecido por dar voz à vida comum e às histórias femininas, Manoel Carlos entregou clássicos como ‘Presença de Anita’ e ‘Laços de Família’. Sua última novela, ‘Em Família’ (2014), não teve sucesso esperado, mas seu legado segue vivo.

Faleceu aos 92 anos, deixando obras inéditas que continuam a influenciar novos roteiristas.

Outros Noveleiros da Velha Guarda

  • Gilberto Braga – Mestre da sofisticação, trouxe a elite brasileira para a tela em tramas como ‘Dancin’ Days’. Morreu em 2021 após ser ignorado pela Globo. A ‘Babilônia’ (2015) não foi bem recebida e o afastou da emissora.
  • Gloria Perez – Transformou temas complexos em entretenimento, com obras como ‘O Clone’. Saiu da Globo em 2025, insatisfeita com interferências. Aposentada aos 77 anos, sua voz única ainda reverbera.
  • Benedito Ruy Barbosa – Autor de ‘Renascer’ e ‘O Rei do Gado’, optar por viver tranquilamente. Problemas de saúde o afastaram após ‘Velho Chico’ (2016).
  • Silvio de Abreu – O rei da comédia e crítica social deixou a Globo em 2020. Reinventou-se como produtor na HBO Max, mostrando que criatividade não tem idade.
  • Lauro César Muniz – De ‘O Salvador da Pátria’ à aposentadoria, passou pela Record e voltou à Globo sem emplacar novos projetos.
  • Aguinaldo Silva – No auge dos 82 anos, escreve para a Globo novamente. Clássicos como ‘Roque Santeiro’ carregam sua marca registrada.

O Legado e o Futuro

A morte e aposentadoria desses ícones são reflexo das mudanças na teledramaturgia. A era do streaming redefine o consumo de conteúdo, trazendo novas narrativas. Há uma tentativa de preservar o legado desses autores, mas com a necessidade de renovar fórmulas.

“O negócio apertou, e quem tá no trecho sente: adaptar-se ou desaparecer”, é o lema agora.

O desafio é manter vivas as histórias que emocionaram milhares, enquanto abraçamos o novo. A teledramaturgia continua a ser uma arte em evolução, e o futuro depende da interseção entre tradição e inovação.

Alzir Queiroz
DRT nº 2288

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